NASSIF: Paulo Guedes, a versão PhD de Jair Bolsonaro



Do GGN
Luis Nassif
Quem aposta que o centro de racionalidade do governo Bolsonaro é o Ministério da Economia, desista. A única vantagem do Ministro Paulo Guedes sobre o chefe Bolsonaro é não tuitar. E seu nível de piração ser da mesma intensidade que a do chefe maior, porém mais sofisticado.
Foi o que constataram seis aturdidos presidentes de Tribunais de Contas estaduais, depois de uma reunião convocada por ele.
Começou a reunião com 6 tribunais presentes. Guedes se fez acompanhar de uma tropa, com Mansueto de Almeida, Guilherme Afif e o indefectível procurador do TCU (Tribunal de Contas da União) Julio Marcelo.O início foi intimidatório.
– Quero saber por que estados quebraram e vocês não fizeram nada!
Dos 6 estados representados, 5 eram estados quebrados. O 6o, São Paulo, não quebrou porque o governador Geraldo Alckmin não foi capaz de gastar o orçamento aprovado.
Um conselheiro tentou explicar a Guedes como funcionavam os tribunais, e sua incapacidade legal de interferir em decisões de políticas públicas. E Guedes implacável:
– Não me interessa!
Até que um, mais atrevido, cobrou a União. Se fosse responsabilizar o Tribunal de Contas pela quebradeira, então tinha que responsabilizar o TCU, pois a União quebrou e a única diferença em relação aos estados é que ela pode emitir títulos, e os estados não. E não constava que o TCU tivesse tomado medida alguma contra as renúncias fiscais de Dilma.
Aí Guedes deu um chute no traseiro de seus diplomas e foi buscar argumentos no bolsonarismo mais tosco, alegando que a União quebrou porque o governo de Dilma financiou o porto de Mariel, deu estádio para o Corinthians. E nem corou!
Um conselheiro lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal prevê conselho gestor para normatizar a execução orçamentários que jamais foi implementado. Guedes não tinha a mais longínqua ideia de que bicho era esse.
– Tem isso Mansueto?
– Tem, Ministro, o projeto está a desde 2002 na Câmara
Depois, explicou seus planos econômicos. Disse que iria descentralizar os recursos para que fossem direto para estados e município. Um conselheiro ponderou:
– Ministro, Existe Congresso, senadores e deputados para representar estados e municípios. O que o senhor vai fazer com eles?
O impávido Guedes fingiu que não ouviu.
Outro conselheiro explicou que no seus Estado o Ministério Público estourou 2% das receitas, da mesma maneira que o Judiciário. Ou seja, Assembleias e tribunais estourando as receitas.
– E como você acha que poderíamos atuar?
Ai Guedes foi baixando a bola, e transmudando do fundamentalismo econômico para o terrorismo político. Literalmente baixou nele o espírito de Savonalora, o monge dominicano que ganhou fama prevendo o fim do mundo e das instituições – e terminou na fogueira -, precursor erudito do famosíssimo Beto Salu, o personagem de Dias Gomes que previa o fim dos tempos e com o qual Guedes era confundido em meados dos anos 90, por exorbitar do estratagema de prever o fim do mundo.
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