DINHEIRO
Bitcoin no Brasil pode acelerar o fim do papel
moeda
Eiran Simis é entusiasta das criptomoedas, consultor de
startups e palestrante em temas como empreendedorismo e tecnologia entre outros
assuntos. Eiran também é colaborador do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).
É o prenúncio da Nova Era? No futuro as economias
modernas serão dominadas pelo uso do cartão e da moeda digital em escala mundial?
Num bate-papo, Eiran fala sobre a contribuição social que o Bitcoin pode trazer no dia a dia das pessoas, nas economias locais e globais, e seu uso acelerado ocasionando o fim do papel moeda no Brasil, o funcionamento do processo de compra da moeda digital, a não necessidade do Banco Central, a segurança do uso do Bitcoin e mais...
Eis aqui, um convite para esclarecer dúvidas, e
experimentar essa tecnologia para conseguir o melhor método de lidar com o
dinheiro para os próximos 50 anos, conforme afirma Eiran nesta entrevista. Bom
passeio!
Antonio Nelson – Como
nasceu o entusiasmo pelas criptomeodas? Qual a sua margem de uso diário?
Eiran Simis – Gosto muito de finanças. A parte também de
liberalismo econômico. Eu tive a oportunidade de ser convidado para um evento,
por um colega, que até montou um evento nesta área, e aí, me chamou para o
evento, eu fui para o evento, e comecei a me interessar a respeito e acabei me
apaixonando pelo tema, porque eu vejo como a moeda nacional, emitida pelo Estado,
um dos poucos monopólios, ainda existentes aí, no mercado. Então, eu vejo como
uma moeda libertária, de emissão prvda e de uso público irrestrito, pública, em que muitas vezes você pode diminuir
o poder do Estado, em que muitas vezes é utilizado, como a gente está vendo na
própria Venezuela.
Antonio Nelson - Na
Suécia o dinheiro pode sair de circulação até 2030. Na capital, Estocolmo,
aumenta o número de restaurantes e lojas que anunciam: “Não aceitamos
dinheiro”. Dado do Banco Central sinalizam que as transações em dinheiro
representam, “atualmente”, até 2% do valor de todos os pagamentos feitos na
Suécia – contra uma média de aproximadamente 7% no restante da Europa. Isto
está muito distante do Brasil? Quais cidades brasileiras tem destacado no uso das criptomoedas? Por
que?
Eiran Simis – Não estamos muito distante no Brasil. Quanto menos
dinheiro tiver em circulação, mais caro fica a logística desta circulação.
Quando falo em logística é: guardá-lo, entregá-lo, emiti-lo. Então, tudo fica
mais caro por causa da perda do ganho de escala. Quando se tem muita moeda você divide
este ganho de escala. Mas quando você tem pouca moeda em circulação, essa pouca
fica muito cara, o logístico em circulação. Então, o dinheiro em papel pode
diminuir mais rápido do que a gente imagina.
Mas tem um lado perigoso aí também, tá. A partir do
momento em que o dinheiro passa a ser 100% digital e controlado pelo Estado,
como hoje é, você pode ter a perda de garantias individuais. Você pode ser
perseguido, por exemplo, pelo Estado, e todo seu recurso que é digital ser confiscado
pelo Estado. Isso tem um benefício da logística, da facilidade do meio digital,
mas tem o risco de confisco, do governo de usar esse poder que ele tem, de
confiscar o dinheiro e colocar o cidadão numa situação de dificuldade.
Falando, mais especificamente, no Brasil, eu vejo
que este processo pode até ser acelerado. Se lá fora é caro manter pouco
dinheiro em circulação, imagina no Brasil que tem assaltos, arrombamento de
caixas eletrônicos, cidades do interior sem moeda porque os assaltantes
destroem, trazem uma insegurança muito grande.
Então,eu acho que essa digitalização aí, da moeda,
e o desaparecimento da moeda de papel, pode até ter um processo até mais
rápido, no Brasil, do que em outros países que não enfretam essa questão da
segurança.Eu ainda não vejo nenhuma cidade se destacando, no Brasil, em relação
ao uso do Bitcoin. Talvez, se a gente pegar proporcionalmente, eu me lembro de
Aracajú, ou Sergipe, né, eu acho que mais Aracajú, por conta de uma cidade
pequena, mas eu sei que o Bitcoin lá, por algum motivo, teve um período aí de
uma utilização proporcionalmente mais forte que outras cidades. Mas
recentemente, no Recife, tem uma empresa aqui – no Recife – que ela está
oferecendo facilidades para os lojistas aceitarem Bitcoin. Oferece uma tecnologia
para que qualquer comércio, de pequeno porte, inclusive, receber a moeda.
Então, isso aí pode ajudar em aumentar a mobilização do Recife, aí. Colocar Recife
no mapa do uso de criptomoedas no mundo. Mas o grande problema, em geral, das
criptomoedas, eu falo mais especificamente o Bitcoin, porque tem muita fraude
por aí, e em moedas mal intensionadas, inclusive. Bitcoin para mim é diferente
disto, porque ele tem um crescimento orgânico. Tá longe destas fraudes aí, das
mais de 2000 moedas que já foram criadas.
Eu vejo o Bitcoin, num primeiro estágio, ser uma
reserva de valor, como o ouro é. Um dinheiro de segurança, um dinheiro que não
pode se manipular. Porque, por exemplo, o governo não pode manipular a
quantidade de ouro. O ouro é emitido pela natureza. A mesma coisa o Bitcoin. O
governo não tem poder de alterar isso. É um dinheiro, podemos assim dizer, que
está protegido, deste problema de inflação etc.
Então, veja, o Bitcoin, num primeiro momento, mais
sendo uma moeda forte, uma reserva de valor que se chama, do que uma moeda de
troca. Essas moedas que a gente troca: compra pão, café...O dinheiro que a
gente usa no dia a dia. Eu acredito que esse é um segundo estagio, que vai
demorar alguns anos ainda para acontecer.
O primeiro estagio do Bitcoin é ser uma reserva de
valor. Uma moeda forte, feito o ouro que você vai armazenar ou a sobra
referente ao seu trabalho. A sobra que você tem. Você trabalha, recebe, gasta e
o que sobrar você vai acabar armazenando um pedaço num ativo financeiro chamado
Bitcoin, que não sofre influências governamentais. E talvez, só depois quando
for adotado como reserva de valor, o que eu acredito, como último estagio, seja
os Bancos Centrais adquirirem Bitcoins para suas reservas internacionais, aí
sim, talvez, talvez, né, o Bitcoin possa ser usado como moeda corrente, entre
transações, com compras de bens etc. Essa é uma leitura que eu faço, mas só o
tempo dirá.
Antonio Nelson – É o
prenúncio da Nova Era? No futuro as economias modernas serão dominadas pelo uso
do cartão e da moeda digital em escala mundial? Quais os benefícios para a
sociedade?
Eiran Simis – Em relação ao uso do cartão e da moeda digital,
vamos separar bem as coisas, né. O dinheiro hoje, dólar, real...acho que grande
percentual dele, já é digitalizado como você citou lá, na questão da Suécia.
Então, grande parte do dinheiro em circulação hoje é dólar digital, real
digital, euro digital, então, isso aí, já está acontecendo, né.
Mas quando a gente fala de moeda digital como o
Bitcoin, ainda não é utilizado numa escala, se comparado ao cartão e a moeda
fiduciária – essa moeda nacional – eu vejo que ela tem uma grande vantagem. E
que a vantagem dela ser descentralizada, não tem um governo que faz a gestão
dela, e muitas vezes uma má gestão, como a gente já viveu no Brasil tantos
surtos inflacionários; então, eu vejo uma moeda que pode ser aceita no mundo
todo, já é – Bitcoin já é aceita em vários países; eu vejo também a vantagem
dele ser transparente, as transações são transparentes, o controle social é
transparente. Então, eu vejo uma série de vantagens para o cidadão. Eu não
sei se avantagens vão ser para o Estado, mas para a sociedade como todo eu só
vejo vantagem de isso acontecer.
Sem esquecer, complementando, né, que é um dinheiro
não confiscável. Um juiz no Brasil, nos EUA. Ele pode confiscar o dinheiro que você
tem no Banco. As ações que você tem, os ativos financeiros. Mas Bitcoin, mesmo
que ele queira, ele não tem o poder. Ele não tem o poder de tomar da sua mão,
ou seria muito difícil de ele exercer este poder, de tomar na prática, executar
este poder.
Antonio Nelson - Como
funciona o processo de compra em bitcoin?
Eiran Simis - O processo de compra de bitcoin é similar como
você comprar dólar numa casa de câmbio. Ou comprar ações na bolsa de valores. A
única diferença dessas organizações, que vendem a bitcoin, pelo menos no
Brasil, não são regulamentadas por nenhuma organização. Mas você vai, faz um
depósito num valor e passa à trocar, negociar esse bitcoin à preço de mercado.
Se a gente for resgatar a História, o ouro também
foi moeda em vários países, e alguns defedem que isso impediu que muitas
guerras acontecesse. Porque para você realizar uma guerra, você precisa de
recursos, capital. E como você não consegue controlar o ouro,por exemplo, só
tem um jeito de você fazer isso, que é confiscando o ouro, ou você pedindo para
a população financiar a guerra. E a população não quer finaciar guerra,
porque guerra traz uma série de coisas negativas, e além do mais, eles não vão
desfazer do ouro deles para poder financiar uma guerra. Então, é muito difícil.
A partir do momento que os governos passaram à
financiar as guerras através de inflação, como a gente viu este problema,
inclusive, na Alemanha, quando teve o surto inflacionário lá, que
desestabilizou, né, e acabou levando inclusive para a 2ª Guerra Mundial. Então,
a vantagem que eu vejo, quanto menos o governo se meter na emissão de moedas,
mais a paz social vai reinar na humanidade. Essa é a minha visão!
Antonio Nelson – Não
precisa de Banco Central?
Eiran Simis – Não. Sim o Bitcoin passar a ser utilizado em larga
escala, por todas a economias, por todas as pessoas, não há necessidade de um
Banco Central, o sistema – ele é autoregulável – ele já tá determinado, de
agora aos próximos anos de como vai ser a emissão dessa moeda, inclusive ela
tem um limite, né. Mas eles são
divisíveis aí, em oito casas decimais, com base no código da moeda, é previsto que a emissão se esgote em 21 milhões de Bitcoins até 2120 , e passa a só circular aquilo que foi emitido
até, então. Não precisa do Banco Central, pro Bitcoin, e se ele for usado em
escala não precisa do Banco Central em nenhum lugar do mundo. Salvo as
economias que quiserem ter uma moeda local.
Antonio
Nelson - As criptomoedas são novidades no mercado e tem pessoas que se norteiam
pela velha mídia e ainda alimentam muitas incertezas. As transações com moedas
digitais são seguras?
Eiran Simis – Em
geral, este tipo de moeda é infalsificável e muito mais segura que outro tipo
de moeda, outro tipo de tecnologia, como cartão de crédito, moeda em papel.
Agora, é uma tecnologia nova e as pessoas precisam conhecer. Tem muita fraude que
não tem relacionamento com a moeda – são pessoas que fazem pirâmide e outros
tipos de fraude, mas não tem relação direta com a moeda. A moeda – ela é mais segura do que tecnologias como o cartão de crédito ou até mesmo moeda em papel. Ela é
infalsificável. Nunca foi falsificada.
Antonio
Nelson - O preço delas oscila e as corretoras podem ser invadidas e até
quebrar. Esse é o principal temor de quem tem resistência à elas. Você acha que
esse modelo de transação virará uma tendência em solo brasileiro em curto
prazo?
Eiran Simis – Sim, de fato as corretoras podem ser invadidas.
Elas são um ente terceiro, mas isto ocorre com o Banco, um Banco pode ser
invadido, o dinheiro roubado, como foi roubado o Banco Central, acho que o de
Fortaleza; onde são roubados ou explodidos caixas eletrônicos Bancos no
interior. Então, isso aí é inerente à moeda. Na verdade não está relacionado à
moeda. A insegurança é do meio digital ou destes terceiros que comercializam a
moeda. Ela oscila, de fato porque é um ativo novo, dentro de uma classe de
ativos novos, chamadas criptoativos, onde tem a cripto ativos – dentre elas:
bitcoins; existem mais de 1.500 similares aos bitcoins, mas eles oscilam porque
são novos, tem baixa liquidez, então qualquer compra, qualquer venda, desta
moeda, numa quantidade relevante acaba impactando no preço deste ativo e ele
oscila. Mas isto acontece com diversos outros ativos que surgiram ao longo dos
anos. Ou ao longo do tempos. Mas essa volatividade tende a acabar com a adoção
e o aumento da liquidez deste ativo.
Antonio Nelson –
Considerações finais!
Eiran Simis – Como considerações finais, acho que aqui, a gente
está discutindo o futro do dinheiro. E pra mim, esse tecnologia, do Bitcoin,
por exemplo, pode ter o mesmo impacto ou maior do que foi a internet comercial
há 25 anos atrás. Então, eu sugiro que todos conheçam a moeda. Não precisa
investir, né, também aqui é uma recomendação de investimento, mas compre, sei lá,
R$50, R$100 da moeda; “manipule”; veja como ela funciona; estude um pouco ela.
Deposi se gostar, se aprofundar, você pode investir neste tipo de ativo, mas eu
acho que é importante, todos da sociedade conheçam um pouco, experimente essa
nova tecnologia aí que pode mudar a forma como lidamos com o dinheiro para os
próximos 50 anos!

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