MEC corta verba de universidades que fazem “bagunça e evento ridículo”

O presidente mandou cortar R$ 5,8 bilhões e o ministro Weintraub decidiu pelos critérios "balbúrdia" e "lição de casa". UnB, UFBA e UFF já foram congeladas

Bandeira "Direito UFF Antifascista" estava na faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), em outubro de 2018 - Foto: Reprodução
Atualizada às 12h26 com nota da UnB
Do Jornal GGN Jair Bolsonaro determinou que o Ministério da Educação sofrerá o maior corte de recursos entre todas as pastas: o congelamento de R$ 5,8 bilhões neste ano. Com a ordem de cima, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estabeleceu por sua própria conta os critérios para a guerra contra as universidades: serão retirados os repasses das que não tiverem o desempenho acadêmico “esperado” e promoveram “balbúrdia”, ou “bagunça e evento ridículo” em seus câmpus.
Foi essa a declaração do ministro de Bolsonaro à reportagem do Estadão. E mais, afirmou que três universidades federais já estão “enquadradas”, descriçao do jornal, nesse corte por promover “balbúrdia”: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, está também na mira, “sob avaliação”.
Ao ser questionado sobre o que seria “balbúrdia” na visão do novo ministro da Educação, Weintraub disse que são as que permitem eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas no ambiente universitário. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse, e especificou: “Sem-terra dentro do câmpus, gente pelada dentro do câmpus”.
Deixando claro que tais atos políticos ou sociais seriam “bagunça e evento ridículo”, e que este é a prioridade da fiscalização do MEC para cortar os investimentos, disse que o segundo ponto observado para o corte seria não apresentar resultados “aquém do que deveriam”. “A lição de casa precisa estar feita: publicação científica, avaliações em dia, estar bem no ranking”, afirmou.
Mas tampouco para este critério, Weintraub conseguiu elencar qual foi o “ranking” analisado. De acordo com o MEC, a UNB, UFBA e UFF já tiveram 30% de suas dotações orçamentárias anuais bloqueadas, desde a semana passada. Esses recursos são destinados a custos como água, luz, limpeza, e também as bolsas de auxílio aos estudantes.
Apesar de os critérios “balbúrdia” e “lição de casa” serem definidos pelo ministro da Educação, a ordem de restrição dos montantes partiu de cima, do próprio presidente Jair Bolsonaro, que decidiu que dos R$ 30 bilhões dos gastos previstos ficarão congelados, sendo R$ 5,8 bilhões somente do MEC, a pasta que sofreu o maior bloqueio do governo federal.
Mas não é só isso. Desde o último ano do governo de Michel Temer até o início do governo Bolsonaro, o investimento em pesquisa de Universidades e Institutos superiores perdeu R$ 5 bilhões, o maior corte já registrado nos últimos cinco anos. As informações são do Observatório do Conhecimento, que mostrou que desde 2015, o orçamento do governo em produção de conhecimento caiu quase R$ 39 bilhçoes, considerando a inflação. Esse cenário deve ser ainda pior.
NOTA DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
“A UnB não foi oficialmente comunicada de nenhum corte em seu orçamento. A área técnica verificou, contudo, um bloqueio orçamentário da ordem de 30% no sistema. A instituição está, neste momento, avaliando a situação e tem a expectativa de que o bloqueio possa ser revertido.
Importante ressaltar que a UnB é uma das universidades com reconhecida excelência acadêmica no país, atestada em rankings nacionais e internacionais. Temos nota 5, a máxima, no Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a avaliação oficial da pasta para os cursos de graduação.
Também somos a 8ª melhor universidade brasileira, segundo avaliação do Times Higher Education (THE), uma organização britânica que acompanha o desempenho de instituições de ensino superior em todo o mundo. Há dois anos, ocupávamos a 11ª posição.
A Administração Superior da UnB não promove eventos de cunho político-partidário em seus espaços. Como toda universidade, é palco para o debate livre, crítico, organizado por sua comunidade, com tolerância e respeito à diversidade e à pluralidade.”

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