ENTREVISTAS
Terceirização põe em risco o sigilo bancário dos brasileiros
AMEÇA SISTÊMICA PARA A ECONOMIA

Reprodução de vídeo
por Conceição Lemes
No último 31 de agosto, os bancários assinaram um acordo histórico, numa conjuntura dificílima: a nova convenção coletiva de trabalho, que vai até 31 de agosto de 2020.
É a única categoria cuja convenção coletiva vale para todo o País.
As batalhas na mesa de negociação foram exaustivas. Duríssimas, mesmo.
De um lado, 160 bancos, liderados pela Federação Nacional de Bancos (Fenaban), que propôs 0,5% de reajuste salarial para os próximos quatro anos.
Do outro lado, os 480 mil trabalhadores, defendidos por duas coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, representando todos os sindicatos, que não abriam mão de direitos já conquistados e pleiteavam novos avanços.
O desafio coube a Ivone Silva, presidenta dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e a Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Pela primeira vez na história, pelo lado dos bancários, duas mulheres comandaram a negociação com os banqueiros.
“Sem dúvida alguma, a união da categoria e a confiança dos sindicatos dos bancários de todo o país no Comando Nacional foram determinantes para nossa vitória”, afirma ao Viomundo Ivone Silva, já a postos para outra grande batalha.
Em 30 de agosto, dia anterior à assinatura do acordo da convenção coletiva de trabalho, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a terceirização nas atividades-fim das empresas –a terceirização total — é constitucional
“Essa decisão vai afetar milhões de empresas e trabalhadores”, afirma.
“No setor financeiro, especificamente, a terceirização irrestrita vai aumentar em relação ao que já existe hoje e atingir todos os segmentos, como as gerências, caixas, crédito e áreas de tecnologia”, alerta Ivone Silva.
“Em consequência, colocará em risco o sigilo bancário, gerando perigo sistêmico para a economia brasileira”, previne.
Segue a íntegra da nossa entrevista.
Viomundo – Primeiro, vamos falar da vitória da categoria. Os bancos começaram a negociação proppndo apenas 0,5% de reajuste pelos próximos anos, apesar dos juros extorsivos que cobram e dos lucros estratosféricos que têm. Essa negociação é um retrato do golpe e da reforma trabalhista dos golpistas?
Ivone Silva — Sabíamos que seria uma conjuntura difícil, com a retirada de direitos e o golpe contra os trabalhadores. E foi.
Fizemos exaustivas reuniões com os bancos, doze no total, reivindicando cláusula por cláusula, com nossas prioridades.
Sabíamos que não sairíamos da mesa de negociação sem a manutenção dos nossos direitos, aumento real e garantia de direitos, por exemplo, para os hipersuficientes, que não estão garantidos com a reforma trabalhista.
Mantivemos as reivindicações e graças à nossa firmeza na mesa e à mobilização de toda a categoria nas ruas e redes sociais, avançamos nas negociações.
Assinamos em 31 de agosto uma das mais completas convenções coletivas de trabalho da história do Sindicato.
Viomundo — Quais pontos da reforma trabalhista os bancos queriam impor à categoria e vocês conseguiram impedir?
Ivone Silva – A Fenaban jogou pesadíssimo, é claro. Para começar, apesar de estabelecido o calendário de negociações, ela não assinou o pré-acordo para garantir a validade da convenção coletiva após 31 de agosto, que era praxe.
É o que nós chamamos de ultratividade, ou seja, o princípio que garantia a validade de um acordo coletivo até a assinatura de outro.
A reforma trabalhista do Temer acabou com a ultratividade, e esse é um dos pontos negativos dela.
Outro ponto negativo é a figura do “empregado hipersuficiente”, ou seja, aquele trabalhador com nível superior e remuneração a partir de duas vezes o teto de benefícios do INSS, o que corresponde atualmente a R$ 11.291,60.
Pela nova lei, os trabalhadores hipersuficientes podem estabelecer suas condições de trabalho diretamente com o patrão, ainda que elas sejam inferiores às previstas em acordo coletivo da categoria.
Ou seja, os bancários hipersuficientes – são cerca de 91 mil – não estariam resguardados pela nossa convenção coletiva.
Nós reivindicamos – e conseguimos! — que a convenção seja válida para todos os trabalhadores dos bancos, independentemente do nível de escolaridade ou da faixa salarial. Essa conquista agora é uma referência para os acordos trabalhistas.
Viomundo — O que foi determinante para essa vitória?
Ivone Silva — Sem dúvida, a união da categoria e a confiança dos sindicatos dos bancários de todo o país no Comando Nacional.
A cada reunião que acabava, nós divulgávamos as notícias em nossos canais de comunicação. Criamos, assim, uma rede forte e combativa, que auxiliou na pressão com a sociedade.
Por exemplo, os banqueiros queriam diminuir o valor da PLR [participação nos lucros e resultados] para mulheres em licença maternidade.
Nós levamos isso para a sociedade. A nossa mobilização foi tamanha que no dia seguinte eles recuaram. Perceberam a força da nossa atuação junto à categoria e aos clientes dos bancos.
Nossa campanha começa muito antes das mesas de negociação. Este ano, em maio, tivemos a nossa consulta com os bancários, em seguida tivemos as conferências estaduais e a Nacional. Os bancários participam e acompanham cada parte da Campanha Nacional Unificada. Essa é a nossa força.
Viomundo — Em que medida a negociação dos bancários se torna referência para as outras categorias?
Ivone Silva — Em uma negociação histórica, a Campanha Nacional Unificada deste ano avançou em diversas cláusulas da categoria, como:
*a manutenção de todos os direitos da convenção coletiva ao hipersuficiente;
*aumento real durante dois anos, com reajuste de 5% (aumento real de 1,18% sobre uma inflação do INPC projetada em 3,78%) para salários e demais verbas;
*garantia de manutenção de todos os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho válida para todos os empregados de bancos públicos e privados em todo o Brasil.
Vale lembrar aqui que o primeiro reajuste proposto pelos bancos foi de 0,5%. Foi tão absurdo que as assembleias da categoria de todo o País o rejeitaram por unanimidade.
O setor mais lucrativo da economia brasileira não poderia oferecer aos seus trabalhadores esse índice ridículo.
Outros setores com lucro muito menor e até prejuízo apresentaram ganho real maior no primeiro semestre, quando a média dos aumentos reais na economia foi de 0,94%. Portanto, o dobro do pretendido pelos bancos.
Viomundo – Em 30 de agosto, o STF aprovou a constitucionalidade da terceirização irrestrita. O que representa essa decisão?
Ivone Silva — Ela vai afetar milhões de empresas e trabalhadores e servirá de base para todas as decisões judiciais semelhantes, pois define se é legal ou ilegal precarizar as condições de trabalho no Brasil.
Infelizmente, na prática, vai reduzir salários, aumentar jornada, a rotatividade e a possibilidade de acidentes de trabalho.
No setor financeiro, especificamente, a terceirização irrestrita vai aumentar em relação ao que já existe hoje e atingir todos os segmentos, como as gerências, caixas, crédito e áreas de tecnologia.
Em consequência, colocará em risco o sigilo bancário, gerando perigo sistêmico para a economia brasileira.
Viomundo – Por quê?
Ivone Silva — Decisões fundamentais em relação à concessão de crédito, aplicações financeiras e outras ficarão fora do controle dos trabalhadores que têm as habilidades e competências técnicas e jurídicas para desempenhar tais atividades.
Viomundo – Qual a diferença de salário entre um trabalhador bancário e um terceirizado no setor?
Ivone Silva – Sabemos que a diferença de renda anual entre o trabalhador bancário e o de telemarketing terceirizado no setor, por exemplo, é grande.
Considerando férias, 13º, auxílios alimentação e refeição, auxílio creche, FGTS e participação nos lucros e resultados, o trabalhador terceirizado recebe somente 27,4% da renda anual percebido pelo trabalhador bancário em um ano.
Viomundo – Os correspondentes bancários são uma forma de terceirização de atividade fim dos bancos?
Ivone Silva – Sim, sim. Os correspondentes bancários foram inicialmente imaginados como alternativa de atendimento em localidades onde não havia agências bancárias.
Ao longo do tempo, seu propósito foi totalmente desvirtuado e hoje encontramos milhares de correspondentes bancários nos centros das principais cidades do país.
Os bancos utilizam apenas para economizar custos, já que, em geral, os trabalhadores desses estabelecimentos são comerciários com salário próximo ao mínimo e jornada de 44 horas semanais.
Fazem o mesmo trabalho dos bancários, mas não têm os mesmos direitos.
Além disso, os estabelecimentos que prestam esses serviços não têm as obrigações de segurança previstas para as agências bancárias, ou seja, os bancos, através dos correspondentes, colocam em risco a vida de clientes e trabalhadores.
Viomundo — Na sua avaliação, os bancos vão tentar impor a terceirização total? Que consequências terá?
Ivone Silva — Vamos nos mobilizar em defesa dos trabalhadores.
Com a terceirização irrestrita, o Estado também vai arrecadar menos. Considerando a contratação do bancário como terceirizado e utilizando como parâmetro a remuneração do trabalhador de telemarketing, a diferença anual de arrecadação incidente sobre a folha de pagamento cai em 96% por trabalhador.
A aprovação da terceirização irrestrita terá graves consequências para o país.
O Estado perde arrecadação, já que os impostos sobre a folha salarial serão fortemente reduzidos. De outro lado, e aumentará seus custos, pois terá que gastar mais com problemas de saúde decorrentes do trabalho precário e desemprego.
Perde a classe trabalhadora, porque terá remuneração e benefícios reduzidos, empregos menos estáveis e mais inseguros, com menores possibilidades de organização sindical.
Perde a economia como um todo, incluindo boa parte das empresas que depende do mercado interno para sobreviver, como o comércio, por exemplo. Afinal, o principal motor do crescimento econômico, que é o consumo das famílias, ficará enfraquecido.
Só ganham poucos empresários, entre eles os dos setores financeiro, aviação, elétrico, plano de saúde, telefonia e banqueiros.
Uma elite gananciosa, que só pensa em aumentar suas margens de lucro e não tem compromisso com a geração de emprego e renda nem com o desenvolvimento sustentável do país.
Debatendo a medicina de mercado
DISTANTES DE HIPÓCRATES
“A mídia em nosso Estado segue os ditames daquela praticada nacionalmente: apresenta um vazio político conservador-direita e sistematicamente critica o governo trabalhista de coalizão, com distorções factuais, interpretações neocolonizadas das ações econômicas levadas ao cabo pelo Lulismo-Dilma, acrescentando retificações e adversativas em suas manchetes...”
Marcos Luna, Preceptor de medicina da Universidade Federal da Bahia - UFBA.

Por Antonio Nelson
Os médicos de mercado, a ética médica, e o ideal hipocrático dos jovens e veteranos médicos em questão, as relações promíscuas com os interesses privados e públicos, a indústria farmacêutica, o jogo de interesses dos planos de saúde, as relações trabalhistas, transplantes de órgãos, e os avanços da ciência são assuntos em discussão com o médico baiano Marcos Luna, 61 anos, numa entrevista exclusiva. Além disso, doutor Luna fala da mentalidade conservadora e reacionária da elite baiana - onde também faz outsourcing do próprio bebê ou do seu automóvel.
Com especialização no Canadá na Mc Master University, e nos EUA na Harvard Medical School, através de bolsa do CNPq. Autor dos livros “A Realidade e as Linguagens”, "A Utopia do Olhar Clínico" - que entre os principais capítulos estão: Saúde precarizada: a quem interessa, A saúde doente: Emergência locokut, Política e linguagem, Crise global, Libertários no Wikileaks etc. O preceptor também assevera sobre a ditadura midiática na Bahia, e as contradições que assolam sua profissão. Confira!
Antonio Nelson – Como foi seu universo literário na infância?
Marcos Luna - Circunstâncias familiares me propiciaram a carência de objetos dispersivos da atenção - sem televisão e condições econômicas de consumo supérfluo, desde a separação dos pais -, aliada a imitação de meu irmão primogênito que gostava de ler e o estímulo sistemático de meu educador em língua portuguesa. Comecei as leituras desde a segunda infância. Passei pelos clássicos brasileiros como José de Alencar Jose Lins do Rego, Jorge Amado, Aloízio de Azevedo, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Erico de Veríssimo e outros. Lia muito a revista Reader´s Digest e seus contos, até alcançar os escritores universais: Balzac, Gustave Flaubert, Dostoievski, Proust, Schoppenhauer, Nietzsche, Dumas, Conrad, Henry Miller, Goethe, Erich From, Kafka, Kundera, Montaigne, Hemingway dentre tantos. E os mais contemporâneos: Saramago, Alain de Bottom, Irving Yalom, Chico Buarque, Michael Sandel, Robert Zimmer, Flavio Tavares, Pierre Bayard, Marilena Chaui, David Sackett, Gordon Guyatt e Foucault.
Antonio Nelson – Por que medicina? Como nasceu essa descoberta?
Antonio Nelson – Por que medicina? Como nasceu essa descoberta?
Marcos Luna - Percebi desde o colegial que além da literatura eu tinha gosto pelas ciências biológicas e fisiologia humana, a teoria da evolução dos seres vivos, do homem. Ademais, o meu irmão já fazia medicina, o que facilitaria o uso dos seus livros, não raro muito caros e inacessíveis para as minhas condições financeiras. Confesso o meu dilema na época do vestibular, pois coloquei como segunda opção o curso de Direito.
Antonio Nelson – O senhor é professor da UFBA. Por que a preferência pelo setor público?
Antonio Nelson – O senhor é professor da UFBA. Por que a preferência pelo setor público?
Marcos Luna - Como médico-assistente de um Hospital Universitário há mais de 25 anos tenho a convivência com os estudantes internos e residentes de medicina, e outras especialidades da área de saúde, o que tem me permitido exercitar a Preceptoria de Ensino, às vezes de modo formal como Professor Substituto, ou reconhecido pela Diretoria da Faculdade como docente de fato. O meu trabalho na implantação do Laboratório de Transplante e Imunogenética no Hospital das Clínicas da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e da Comissão de Transplante com a sessão Clínica Cirúrgica, assumiu a minha prioridade acadêmica, que está em progressão coerente. Com toda a minha formação de estudante desde o colegial, a graduação e pós-graduação na forma de mestrado-doutorado e especialização no Canadá na Mc Master University, e nos EUA na Harvard Medical School, através de bolsa do CNPq, me "condenam" ao reconhecimento dos deveres para com a sociedade brasileira e baiana. A minha atuação predominante nos serviços médicos públicos é uma decorrência natural e ética, um compromisso inelutável com a causa pública.
Antonio Nelson – Como professor de medicina, o senhor percebe que os jovens têm o ideal hipocrático, ou seja, em se dedicar na saúde do paciente?
Marcos Luna - De maneira bem concisa, eu expresso que não há mais o sentimento vocacional na maioria do jovens acadêmicos de medicina. Predomina o anseio de corresponder à família, o apelo de maior status socioeconômico e político. Os médicos, nada obstante o desprestígio diante do desgaste na sua prática, da especialização que fragmenta a sua autoridade num segundo momento e ao longo do tempo de formação, a
profissão evoluirá para um estagio social paradoxal: o médico saberá potencialmente cada vez mais... E poderá cada vez menos diante da autonomia do paciente-família, das seguradoras de saúde ou dos organismos governamentais.
Antonio Nelson – Qual o seu conceito sobre os médicos de mercado?
Marcos Luna - Lamento a mentalidade de que o profissional de medica não tenha um limite nos seus honorários, e imagine desde a sua graduação que ele pode ficar milionário. Estou convencido que o médico deve ter duas opções básicas: uma carreira de Estado, atuando no serviço público, com bons salários, em progressão funcional, como os juízes e burocratas da fazenda pública. Aquele que optar pela sua pratica liberal ou particular deverá ter o escrutínio da ética do Conselho de Medicina, para exercer a práxis com os ditames da boa medicina, humanista e atualizada com os avanços científicos. Claro, auferindo honorários dignos para sua sobrevivência e de sua família.
Antonio Nelson – A Revista Carta Capital, - Edição 732 -, com matéria de Capa: OS SERVIÇAIS O Brasil tem o maior número de empregados domésticos do mundo e desenvolve inéditas modalidades de servilismo. Há uma Salvador muito conservadora e reacionária, onde o servilismo se naturalizou?
Marcos Luna - Esta questão nos remete a uma percepção sociológica muito flagrante nos dias atuais: o racismo étnico e a discriminação ainda decorrente de um período escravagista, desde a colonização portuguesa, não superada, mas escamoteado por discursos pseudo-liberais e oportunistas... Em Salvador, metrópole quase absolutamente negra, esta constatação é inescapável aos olhos daqueles que enxergam as desigualdades econômicas e iníquas prevalentes desde sempre. O servilismo alcança as classes médias "aburguesadas" perante o predomínio de uma elite econômica - "europeizada" esbranquiçada - no controle da produção e industrial-comercial e agrária do estado da Bahia. A atitude da polícia baiana no combate a marginalidade, destacada como de "preto-pobre-popular", revela "de novo" o arraigamento quase atávico do preconceito de classes persistente, nada obstante alguns avanços na política de repressão ao crime, a partir de uma nova orientação do governo federal.
Marcos Luna - Lamento a mentalidade de que o profissional de medica não tenha um limite nos seus honorários, e imagine desde a sua graduação que ele pode ficar milionário. Estou convencido que o médico deve ter duas opções básicas: uma carreira de Estado, atuando no serviço público, com bons salários, em progressão funcional, como os juízes e burocratas da fazenda pública. Aquele que optar pela sua pratica liberal ou particular deverá ter o escrutínio da ética do Conselho de Medicina, para exercer a práxis com os ditames da boa medicina, humanista e atualizada com os avanços científicos. Claro, auferindo honorários dignos para sua sobrevivência e de sua família.
Antonio Nelson – A Revista Carta Capital, - Edição 732 -, com matéria de Capa: OS SERVIÇAIS O Brasil tem o maior número de empregados domésticos do mundo e desenvolve inéditas modalidades de servilismo. Há uma Salvador muito conservadora e reacionária, onde o servilismo se naturalizou?
Marcos Luna - Esta questão nos remete a uma percepção sociológica muito flagrante nos dias atuais: o racismo étnico e a discriminação ainda decorrente de um período escravagista, desde a colonização portuguesa, não superada, mas escamoteado por discursos pseudo-liberais e oportunistas... Em Salvador, metrópole quase absolutamente negra, esta constatação é inescapável aos olhos daqueles que enxergam as desigualdades econômicas e iníquas prevalentes desde sempre. O servilismo alcança as classes médias "aburguesadas" perante o predomínio de uma elite econômica - "europeizada" esbranquiçada - no controle da produção e industrial-comercial e agrária do estado da Bahia. A atitude da polícia baiana no combate a marginalidade, destacada como de "preto-pobre-popular", revela "de novo" o arraigamento quase atávico do preconceito de classes persistente, nada obstante alguns avanços na política de repressão ao crime, a partir de uma nova orientação do governo federal.
Antonio Nelson – Na mesma Edição acima, na página 48 | O mundo sem vulgaridades | Nas sociedades civilizadas, ninguém faz outsourcing do próprio bebê ou do seu automóvel. A matéria mostra que no Brasil fazer outsourcing do próprio bebê ou do seu automóvel é chique. O senhor percebe isso no dia a dia em Salvador? Como o senhor analisa isso?
Marcos Luna – A classe média brasileira, um destaque para a alta burguesia, com suas elites exalando "o complexo de vira-latas", todas as vezes que tem oportunidade de manifestar argumentos comparativos entre as suas circunstâncias tupiniquins e o seu convívio conspícuo com o "mundo desenvolvido", desde há muito se orgulha desse hábito de alocar vantagens para o seu "dolce far niente" cotidiano. Claro que sempre à custa de uma mão de obra semiescravizada, que visa os ajudantes caseiros, mais recentemente os serviços terceirizados - diaristas para limpeza, os deliveries, etc. A administração capitalista vem se adaptando as exigências trabalhistas para a equidade social, uma conquista das lutas sindicalistas nos últimos anos em nosso país. A terceirização se torna um expediente reacionário e iníquo no contexto da saúde e do mercado industrial e comercial, na medida em que precariza os direitos trabalhistas, trazendo o aviltamento salarial como um sucedâneo inescapável dessa mais valia capitalista contemporânea. Como diria ainda o nosso mestre Darcy Ribeiro, “as nossas elites são daquelas mais atrasadas do mundo ocidental”.
Antonio Nelson – Em Salvador há também pessoas que só tomam o afezinho ou se alimenta no terceiro piso (no andar superior) do Shopping Center porque elas consideram os andares inferiores como subclasse para aborear o aroma. Além disso, não desejam dividir o espaço com quem eles consideram inferiores sob a ótica deles. Um amigo que trabalha para um empresário na capital baiana me afirmou que seus patrões têm esse hábito. Nota-se isso com frequência?
Marcos Luna - A discriminação de classe social tem efeito pervasivo, e constrangedor, como corolário daquela fundamentação histórica e econômica já referida anteriormente. O dado novo é que há uma "conscientização" mais disseminada de que o "racismo social" é proibido por Lei. Por conta disso cresce o número daqueles que tem receio de expressar os seus preconceitos e privilégios. Mas a prepotência, o "sabe com quem você esta falando" continua ainda na superfície dos discursos e reações das pessoas quando entram em
disputas ou refregas familiares e preservação dos seus interesses.
Antonio Nelson – O senhor trabalha como médico-assistente no Hospital
das Clínicas da UFBA (Universidade Federal da Bahia) há mais de 25 anos e tem convivência com os estudantes internos e residentes de medicina, e outras especialidades da área de saúde. Implementou o Laboratório de Transplante e Imunogenética no mesmo Hospital, além da Comissão de Transplantes Multidisciplinar e uma sessão Clínico Cirúrgica nesta especialidade. Muitas conquistas nesta área na Bahia?
Marcos Luna - Demos um salto significativo com a instalação do primeiro laboratório de imunogenética e transplante da Bahia. Fizemos os primeiros simpósios na área na UFBA, ao mesmo tempo em que qualificamos substancialmente a discussão sobre a transplantação de órgãos em nosso Estado. A reação dos hospitais privados e clínicas, com seus representantes e interesses dentro a da própria universidade dificultou, e ainda tem atrasado maiores avanços. A Bahia configura quase um vexame nacional quando presenta os seus números na área de transplantes, porquanto, eu diria, houve uma "espécie de abortamento" do nosso programa no Hospital das Clínicas. A resistência se deu ao nível da Escola Médica, onde predominavam algumas personalidades catedráticas com suas vaidades superando os interesses da instituição. Os embates travados também no nível da Secretaria de Saúde do Estado arregimentaram forças que dispersaram nossas motivações e conduções propicias para implementarmos um Programa Estadual e Federal de Trand´lante na Bahia.
Marcos Luna - A discriminação de classe social tem efeito pervasivo, e constrangedor, como corolário daquela fundamentação histórica e econômica já referida anteriormente. O dado novo é que há uma "conscientização" mais disseminada de que o "racismo social" é proibido por Lei. Por conta disso cresce o número daqueles que tem receio de expressar os seus preconceitos e privilégios. Mas a prepotência, o "sabe com quem você esta falando" continua ainda na superfície dos discursos e reações das pessoas quando entram em
disputas ou refregas familiares e preservação dos seus interesses.
Antonio Nelson – O senhor trabalha como médico-assistente no Hospital
das Clínicas da UFBA (Universidade Federal da Bahia) há mais de 25 anos e tem convivência com os estudantes internos e residentes de medicina, e outras especialidades da área de saúde. Implementou o Laboratório de Transplante e Imunogenética no mesmo Hospital, além da Comissão de Transplantes Multidisciplinar e uma sessão Clínico Cirúrgica nesta especialidade. Muitas conquistas nesta área na Bahia?
Marcos Luna - Demos um salto significativo com a instalação do primeiro laboratório de imunogenética e transplante da Bahia. Fizemos os primeiros simpósios na área na UFBA, ao mesmo tempo em que qualificamos substancialmente a discussão sobre a transplantação de órgãos em nosso Estado. A reação dos hospitais privados e clínicas, com seus representantes e interesses dentro a da própria universidade dificultou, e ainda tem atrasado maiores avanços. A Bahia configura quase um vexame nacional quando presenta os seus números na área de transplantes, porquanto, eu diria, houve uma "espécie de abortamento" do nosso programa no Hospital das Clínicas. A resistência se deu ao nível da Escola Médica, onde predominavam algumas personalidades catedráticas com suas vaidades superando os interesses da instituição. Os embates travados também no nível da Secretaria de Saúde do Estado arregimentaram forças que dispersaram nossas motivações e conduções propicias para implementarmos um Programa Estadual e Federal de Trand´lante na Bahia.
Antonio Nelson - Existe pouco investimento para a pesquisa científica na
Bahia?
Bahia?
Marcos Luna - Se compararmos com o Sudeste-Sul do Brasil, eu diria que sim. Mas já há uma Fundação do Estado - FAPESB - e o acesso aos recursos da CAPES e CNPq em Brasília estão mais factíveis de serem contemplados e geridos por projetos de pesquisas adequados a nossa realidade científica e médico-social. Pós-graduação da FAMEB é uma das melhores avaliadas no ranking nacional, com uma razoável formação de mestres e doutores. O HUPES-UFBA tem vários grupos de qualidade na pesquisa básica e clínica, como imunoparasitologia e HIV-AIDS, cardiopatia, hipertensão, nefropatias, hepatopatias e em redução de danos por drogas tóxicas ilícitas.
Antonio Nelson – Quais suas preocupações quanto as política públicas
de saúde? Quais ações de curto, médio e longo prazo que precisamos?
Antonio Nelson – Quais suas preocupações quanto as política públicas
de saúde? Quais ações de curto, médio e longo prazo que precisamos?
Marcos Luna - De maneira objetiva, o governo precisa implementar de modo cabal o SUS, seus corolários assistenciais e estruturantes do Sistema de Saúde Nacional. Faltam recursos. O Orçamento público federal para a saúde está muito aquém do exigido para a realidade do país, segundo as análises dos técnicos e especialistas. Parceiros do ato médico sentem isso no cotidiano da prática profissional. Um exemplo é a não aprovação do Plano de Carreira, Cargos e Salários de Médicos de Estado. A sub-remunerada dos procedimentos do SUS é uma proposta para a desqualificação e o desvio ético dos recursos... Os seguros de saúde não estão contemplando as classes médias, o que vai gerar uma demanda, e pressão social, sobre os serviços públicos, já defasados em quase todos os seus níveis.
Antonio Nelson – Qual o atual cenário?
Marcos Luna - De iminente colapso! Talvez esteja chegando o momento para o "salto qualitativo" e a instalação de novos paradigmas na administração da saúde pública em nosso país. O "lockout" nas urgências médicas, públicas e privadas, assinala que os governos vêm tergiversando... Mas não dão a resposta necessária, e já conhecida para o impasse orçamentário e administrativo na saúde brasileira.
Marcos Luna - De iminente colapso! Talvez esteja chegando o momento para o "salto qualitativo" e a instalação de novos paradigmas na administração da saúde pública em nosso país. O "lockout" nas urgências médicas, públicas e privadas, assinala que os governos vêm tergiversando... Mas não dão a resposta necessária, e já conhecida para o impasse orçamentário e administrativo na saúde brasileira.
Antonio Nelson – Há setores muito conservadores na Bahia que desejam o
atraso da pesquisa científica no Estado? Quais são?
atraso da pesquisa científica no Estado? Quais são?
Marcos Luna - Não considero que esta perspectiva ultrapasse além dos
interesse menores de alguns poucos, que se veem na defasagem científica e profissional. Seja pelo desalento pessoal e acadêmico, seja pelo cansaço dos anos... A roda da existência é implacável, o novo sempre vem... "Oh! tempo rei..." cantarola o poeta.
Antonio Nelson – Há uma promiscuidade entre o público e privado? Os médicos de mercado desejam a falência do setor público para ficarem
ricos com as clínicas privadas?
Marcos Luna - A absoluta maioria dos médicos hoje tem vínculos públicos e privados. Trabalham de modo concursado, ou não, para alguma secretaria de saúde municipal, estadual ou federal, tem um contrato em hospital ou clínica privada. Alguns ainda exercitam o seu mister em consultório próprio, o que os levam a uma maratona de trabalho temerária para si e seus clientes. Ademais, estou convencido, desde os meus anos iniciais como médico-residente, que o médico deveria ter um vínculo público ou privado estável, com perspectiva funcional e suas garantias trabalhistas. Além da opção de exercer como um profissional liberal, se assim a sua especialidade o permitisse. O médico não deve ser um profissional que tenha a ambição de ficar rico com o seu oficio.
Antonio Nelson - Qual a responsabilidade dos cientistas? É preciso mais interesse na política?
ricos com as clínicas privadas?
Marcos Luna - A absoluta maioria dos médicos hoje tem vínculos públicos e privados. Trabalham de modo concursado, ou não, para alguma secretaria de saúde municipal, estadual ou federal, tem um contrato em hospital ou clínica privada. Alguns ainda exercitam o seu mister em consultório próprio, o que os levam a uma maratona de trabalho temerária para si e seus clientes. Ademais, estou convencido, desde os meus anos iniciais como médico-residente, que o médico deveria ter um vínculo público ou privado estável, com perspectiva funcional e suas garantias trabalhistas. Além da opção de exercer como um profissional liberal, se assim a sua especialidade o permitisse. O médico não deve ser um profissional que tenha a ambição de ficar rico com o seu oficio.
Antonio Nelson - Qual a responsabilidade dos cientistas? É preciso mais interesse na política?
Marcos Luna – São trabalhadores do conhecimento, com perspectiva tecnológica ou eminentemente teórica - na pesquisa básica - e quase sempre associados ao ensino e a uma instituição que lhes permitam transmitir a descobertas para o beneficio, ou não, da sociedade. Claro que sempre houve desvios éticos e políticos, aqui e lá fora, principalmente. A história da evolução da ciência não se separa dos interesses das nações, e dos grupos econômico-industriais predominantes. Vis a vis o Premio Nobel, sua concepção filantrópica e pedagógica, desde a confecção do TNT pelo seu descobridor. Como cidadão o cientista deveria ter sempre uma inserção na política, que não precisa ser partidarizada. Eu acho que muitos têm uma participação política e influência sociocultural. Acho que a ciência vem para transformar a realidade e a superestrutura do pensamento prevalente, seja nas mentes dos engajados na pesquisa, sejam nas mentes dos que se tornam consumidores de seus princípios colocados ao alcance da tecnologia nas sociedades. A neutralidade é uma "balela retórica" inventada pelos conservadores do status quo.
Antonio Nelson – Os cientistas se tornam ilhas diante da sociedade? Há um distanciamento enorme do povo. O quê é preciso fazer para que a criança tenha como referência um cientista?
Marcos Luna - Esta é uma imagem do passado. A "torre de marfim" dos cientistas foi derrubada pela mídia moderna, e pelo financiamento público e privado das pesquisas. Cada dia mais o cientista tem que justificar o seu trabalho, pois a competição é desenfreada por "budgets" advindos das empresas privadas na área da farmacologia-industrial, aparelhos de bioimagem, próteses vasculares e ortopédicas, cirurgias não invasivas, carros elétricos ou nitrogenados, armas não letais sofisticadas etc. A disputa por orçamento faz com que os cientistas divulguem seus resultados antes mesmo do término dos seus trabalhos para manterem o financiamento. A visibilidade dos laboratórios é tamanha nos dias atuais, que as revista eletrônicas saem antes dos papers. Atropelam-se por audiências nas revistas televisivas dominicais na TV Globo e na TV Record.
Antonio Nelson – Quanto à ética jornalística e o interesse público de meios de comunicação de massa da Bahia. Qual sua análise da cobertura da imprensa? A TV Bahia - afiliada da Rede Globo – vocifera ser líder de audiência, já a qualidade é secundária, há muita mentira e manipulação?
Antonio Nelson – Os cientistas se tornam ilhas diante da sociedade? Há um distanciamento enorme do povo. O quê é preciso fazer para que a criança tenha como referência um cientista?
Marcos Luna - Esta é uma imagem do passado. A "torre de marfim" dos cientistas foi derrubada pela mídia moderna, e pelo financiamento público e privado das pesquisas. Cada dia mais o cientista tem que justificar o seu trabalho, pois a competição é desenfreada por "budgets" advindos das empresas privadas na área da farmacologia-industrial, aparelhos de bioimagem, próteses vasculares e ortopédicas, cirurgias não invasivas, carros elétricos ou nitrogenados, armas não letais sofisticadas etc. A disputa por orçamento faz com que os cientistas divulguem seus resultados antes mesmo do término dos seus trabalhos para manterem o financiamento. A visibilidade dos laboratórios é tamanha nos dias atuais, que as revista eletrônicas saem antes dos papers. Atropelam-se por audiências nas revistas televisivas dominicais na TV Globo e na TV Record.
Antonio Nelson – Quanto à ética jornalística e o interesse público de meios de comunicação de massa da Bahia. Qual sua análise da cobertura da imprensa? A TV Bahia - afiliada da Rede Globo – vocifera ser líder de audiência, já a qualidade é secundária, há muita mentira e manipulação?
Marcos Luna – “A mídia em nosso Estado segue os ditames daquela praticada nacionalmente: apresento um vezo politico conservador-direita e sistematicamente critica o governo trabalhista de coalizão, com distorções factuais, interpretações neocolonizadas das ações econômicas levadas ao cabo pelo Lulismo-Dilma, acrescentando retificações e adversativas em suas manchetes. Aliás, essa tendenciosidade é trazida desde os tempos "varguistas"... A diferença se configura da seguinte maneira: o presidente Getúlio Vargas reagiu - ou ao menos tentou fazê-lo - ao convidar o Samuel Wainer para fundar um Jornal diário, destarte apresentar a versão jornalística do governo. O embate foi "sangrento"... Na minha leitura ele perdeu. Daí porque o Lula e a Dilma venham contemporizando. A tática governamental tem sido a de dissipar o impacto através das mídias alternativas e da construção definitiva de uma acessibilidade nacional popularizada através da internet e a aquisição das TVs a cabo. Ademais a queda do consumo e o impacto dos grandes jornais são flagrantes até mesmo nas metrópoles. Os governos apostam ainda na perda da credibilidade dos noticiosos como o JN et caterva, associando a convicção de que a sociedade esta se informando de modo diversificado e melhor.
Antonio Nelson - Saiu no site do Azenha – VIOMUNDO! Cebes denuncia: Pacote de estímulo a planos privados de saúde é mais um golpe no SUS. Como o senhor vê isso?
Antonio Nelson - Saiu no site do Azenha – VIOMUNDO! Cebes denuncia: Pacote de estímulo a planos privados de saúde é mais um golpe no SUS. Como o senhor vê isso?
Marcos Luna – Em artigo recente no jornal A Tarde, eu me referi as dubiedades do governo Dilma na saúde versus a questão do subfinanciamento, a sua discrepância perante o sistema privado, desde a queda da CPMF imposta pelo Senado Federal - leia-se os demotucanos. A assessoria parlamentar e técnica do governo Dilma tem apontado saídas que não interferem em prioridades orçamentárias da agenda desenvolvimentista atual. Fala-se a mancheia da necessidade de investimentos em infraestrutura do país, o que tem permitido ao lobby empresarial da construção civil e áreas afins, a manipularem a retórica de que o Brasil tem um custo levado, por conta disso. Por conseguinte, colocam a saúde pública com um custeio indesejável, que o estado brasileiro tem que minimizar. Caso contrário, a inflação retorna e o país para de crescer... Esta análise e perspectiva está contaminada por princípios econômicos neoliberais, justamente aqueles que quebraram o país no (des)governo FHC, desclassificando o país para a décima quinta economia no ranking das nações capitalistas, considerando-se o PIB. A saída está no financiamento robusto do SUS e na implantação da carreira de Medico de Estado - entre outras medidas.
Antonio Nelson – Também saiu no site do Azenha – VIOMUNDO! Abrasco: Proposta do governo para ampliar planos privados de saúde é engodo e extorsão. Estamos em estado de alerta diante disto?
Antonio Nelson – Também saiu no site do Azenha – VIOMUNDO! Abrasco: Proposta do governo para ampliar planos privados de saúde é engodo e extorsão. Estamos em estado de alerta diante disto?
Marcos Luna – Asseverando o que afirmei acima, ao estabelecer uma carreira de estado para os médicos, o mercado terá um balizador de qualidade na prestação de serviços de saúde, com impacto na prestação dos serviços e seguros privados. O subsalariamento dos profissioinais da saúde passa pela competição exploratória dos mesmos, desde a formação em escolas "fábricas" de médicos e enfermeiros, sem a preocupação com os resultados epidemiológicos necessários a saúde publica nacional. As classes media e alta estão entrando no 'purgatório' das urgências não atendidas ou muito mal atendidas dos hospitais e clínicas conveniadas. Quem sabe está começando a superação do modelo atual...
Antonio Nelson – Quais suas perspectivas para os próximos 10 anos para a saúde brasileira?
Antonio Nelson – Quais suas perspectivas para os próximos 10 anos para a saúde brasileira?
Marcos Luna – Mudanças que tangenciam a estrutura de financiamento e organização do SUS. Os altos custos das tecnologias sem duvida terão que serem absorvidos em parte pelas classes sociais em ascensão econômica e política. Doutra parte os governos terão que revisar os seus orçamentos para saúde, mormente a qualificação dos operadores dos sistemas.
Entrevista realizada originalmente para o site do jornalista Luis Nassif em 08/03/2013.
ONU REAFIRMA DIREITO DE LULA SER CANDIDATO
participação do ex-chanceler Celso Amorim
HADDAD: NÃO PODEMOS NOVAMENTE VIVER UMA RUPTURA NA DEMOCRACIA COMO EM 2016
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